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Autora: Déia
Feedback: deia_scully@ig.com.br (por favor, por favor, por favor)
Disclaimer: Os personagens desta história não pertencem a mim. Eles pertencem ao Chris Carter, a Fox e etc... Esta história não visa lucro e se destina unicamente a diversão dos fãs.
Classificação: Shipper/ Angst
Sinopse: Mortes ligadas a vidas passadas colocam a vida de Mulder em perigo.

Agradecimentos: Gostaria de agradecer e dedicar essa história às minhas irmãzinhas Fê, Telma e Anna que acompanharam essa fic desde o nascimento e que quase me mataram por eu ficar mandando a história prá elas aos poucos. E, especial para a Cris, que além de ser minha companheira de surto, betou a fic pra mim. Eu amo todas vocês.

Além do Tempo


O relógio mostra o horário: 5:40 a.m. Ainda não amanheceu. Na rua, algumas pessoas passam apressadas em direção ao local de trabalho. A temperatura baixa fazia seu corpo arrepiar. Mas isso não a preocupava, a dor que sentia era pior que o frio que congelava seus ossos. Aquelas mesmas paredes, que tinham sido testemunhas do momento mais doce de sua vida, eram agora como uma prisão, mas ela permanecia ali, apenas sentindo a presença ainda tão forte dele. Parecia que as lembranças a sufocavam, mas agora era tudo o que ela possuía. Lembranças e o desejo de voltar a vê-lo.

Dana Scully levanta-se da cama, os olhos fundos deixam transparecer a noite mal dormida e as lágrimas que não cessavam. Ela caminha até a janela enquanto seus pensamentos se dirigem àquele que fazia com que ela se sentisse viva.

"Olho para mim mesma e não vejo mais a mulher que um dia fui, quando eu senti minhas forças se acabando enquanto o câncer consumia meu corpo, a minha luta me mostrou que os nossos caminhos estariam sempre ligados. Em todos os momentos eu sentia a sua presença e a sua força. Os seus olhos me diziam tudo aquilo que, por anos, reprimimos. Mas as palavras não eram necessárias, não para nós. Nossa comunicação sempre foi silenciosa". Ela suspira e volta para a cama, senta-se e passa as mãos pelo lençol. "Eu sempre imaginei que nossa união, ao se tornar mais intensa e transparente nos tornaria invencíveis, inseparáveis. Qual não foi minha surpresa ao perceber que ela me tornaria mais vulnerável, porque agora eu não sei mais caminhar sozinha".

Scully pega uma pasta que estava na cabeceira da cama e a aperta contra o peito. As lágrimas novamente caem de seus olhos, ela se levanta decidida e sai do quarto, deixando sobre a cama a pasta contendo os documentos referentes ao seqüestro do agente Fox Mulder, ocorrido há dois anos e ainda sem solução.

A verdade está lá fora.


2 anos antes.

- Bom dia, Scully!
- Você sabe que horas são, Mulder?
- Bem, se eu não sofri nenhum lapso de tempo durante o caminho, são 11:21hs.
- Onde você se meteu? Tentei ligar no celular, mas só atendia a caixa postal.
- Calma, lindinha. Quando você vir o que eu trouxe, vai adorar.
- Eu tenho até medo de perguntar o que é.
- Eu estive até agora num sanatório.

Scully segura o riso, olhando para Mulder como se ele estivesse delirando e não devesse ser contrariado.

- Eu sei o que está pensando, Scully. Mas não, eu não fui internado. Eu fui até lá investigar um assassinato. Um dos pacientes de lá foi encontrado em seu quarto morto com várias marcas pelo corpo e uma queimadura na região do estômago. Havia uma grande quantidade desse material - ele tira um tubo de dentro do casaco - no local da queimadura.
- Talvez seja alguma enzima digestiva.
- Você vai adorar isso. De fato é uma enzima digestiva, mas esta é diferente de qualquer outra já encontrada no planeta.
- Mulder, você não está sugerindo que essa enzima é alienígena, está?
- Foi você quem falou.
- Mulder, eu não acredito. Deixa-me ver o conteúdo desse tubo.

Dizendo isso, Scully pega o tubo das mãos dele e coloca o material sob a lente do microscópio.

- Mulder, eu não sei o que é isso, mas seja o que for, age muito rápido. Já foi feita a autópsia no corpo da vítima?
- Eu esperava que fosse querer fazer isso, então mandei o corpo para o necrotério. Há essa hora, já deve estar lá esperando por você.

Scully esboça um sorriso e se dirige a porta sendo seguida pelo parceiro. Eles saem do prédio em direção ao necrotério. No caminho, Mulder conta a ela os detalhes do assassinato.

- Era um homem de aproximadamente 60 anos que havia sido internado pelos filhos, após uma tentativa de suicídio. Segundo o filho mais novo, George, ele ficava tempos desaparecido, quando voltava tinha sempre marcas pelo corpo e nunca se lembrava de como as conseguia, nem onde estivera.
- E você acha que ele foi abduzido?
- É o que parece, mas uma coisa não se encaixa.
- A enzima encontrada no corpo dele.
- Exatamente. Isso nunca havia sido relatado antes.
- Então você admite que a morte dele pode não ter sido causada por alienígenas?
- É uma possibilidade.
- Mulder, tem certeza que não esteve internado?
- Engraçadinha. Chegamos. Quando tiver terminado, me avise que eu venho te buscar.
- Aonde vai?
- Falar com as pessoas da clínica. Eu acho que algum deles pode ter uma pista.

Scully sai do carro e observa Mulder partir. Ela suspira fundo e entra no necrotério.

- Vamos lá, senhor... - ela ergue uma prancha que contém a ficha do homem morto - Edwards.

Ela ergue o lençol que cobria o corpo e fica assustada com o que vê. A pele está completamente corroída, principalmente na região do estômago, onde já havia se formado um buraco. Scully coloca as luvas e inicia a autópsia.


2 horas depois

Scully fala ao celular com Mulder.

- Mulder, já terminei. Conseguiu alguma coisa por aí?
- Nada, ninguém sabe de nada.
- Onde está?
- Estou chegando.

Scully se assusta com o barulho da porta se abrindo e vira-se colocando, intintivamente, a mão em sua arma.

- Scully, você está bem? - diz Mulder pelo telefone.
- Preciso desligar - responde Scully e, sem dar tempo ao parceiro para protestar, ela desliga o telefone, dirigindo sua atenção ao belo homem que acabara de entrar.
- Quem é o senhor?
- Eu é que lhe pergunto. Quem lhe deu ordens de fazer autópsia no corpo de meu pai?
- Sou a agente especial Dana Scully do FBI. Vim aqui para descobrir o que causou a morte de seu pai.
- E conseguiu?
- Na verdade, não, eu nunca vi uma enzima igual a esta. O tecido do corpo está completamente deteriorado.
- Desculpe, eu estou nervoso. Tudo aconteceu muito de repente. Eu estive com ele no último fim de semana e ele parecia bem melhor.
- Eu sinto muito, senhor...
- Edwards, Richard Edwards. - ele fica extremamente abalado e fixa os olhos em Scully, deixando-a incomodada. Ela percebe que Richard se encaminha em direção a ela.

Ela tenta sair de perto de Richard, mas é inútil. Ele a abraça e começa a chorar, deixando Scully extremamente desconfortável.

- É você, não é? Você voltou.
- Senhor, do que está falando? - diz Scully tentando se desvencilhar de Richard.
- Você não me reconheceu? Não se preocupe, com o tempo você vai lembrar. Eu vou te ajudar. Eu também não lembrava, mas os seus olhos... eu os reconheceria em qualquer lugar, em qualquer corpo.

Scully começa a ficar assustada e tenta, mais uma vez se afastar dele, quando Mulder entra e vê a cena.

- Tire as mãos dela. - diz Mulder fuzilando Richard com o olhar e apontando sua arma para ele.

Richard se vira em direção a voz, largando Scully que segue em direção a Mulder.

- Você não desiste, não é mesmo?
- O quê? - diz Mulder confuso.
- Você vai tentar de novo, mas dessa vez, eu não vou deixar você tirá-la de mim.
- Você é louco.
- Mulder, - intervém Scully - deixe-o ir. Nós temos muito trabalho a fazer.


Richard sorri. Estranhamente, Scully sente pena do homem, como se ela tivesse alguma culpa pelo ocorrido. Mulder sente seu sangue ferver e, mesmo que não consiga entender, o ódio pelo homem a sua frente cresce a cada minuto. Scully segura a mão de Mulder, puxando-o para fora do necrotério.

- Quem era esse homem, Scully? - o ciúme estava explícito na voz de Mulder.
- Ele disse ser filho de Robert Edwards.
- E por que ele estava... agindo daquela forma?
- Não sei, Mulder. De repente, ele me abraçou e começou a dizer que eu tinha voltado e que ele tinha me reconhecido pelo olhar.

Eles entram no carro. Mulder está visivelmente irritado. A simples idéia de que Scully pudesse ter qualquer tipo de envolvimento com outra pessoa o deixava alterado e vê-la abraçada a outro homem, mesmo que contra a vontade dela, fazia com que ele se sentisse fraco. Ele tinha medo que um dia Scully encontrasse alguém e o abandonasse, afinal como ele poderia continuar, não só nos Arquivos X, mas em sua própria vida, sem ela? Alguma coisa dizia a ele para tomar cuidado com o homem que acabara de conhecer, aquele não era um adversário comum. Pela primeira vez em sete anos, Mulder se sentia realmente ameaçado e tinha que agir rapidamente se não quisesse perder Scully. Eles foram durante todo o caminho de volta em silêncio, absortos em seus pensamentos. Ao chegarem no FBI, Mulder diz a Scully, antes de sairem do carro:

- Scully, você pode vir ao meu apartamento hoje à noite?
- Por quê?
- Eu... gostaria de discutir esse caso com você, mas estou muito cansado agora e queria ir prá casa... - Mulder tenta, em vão, arranjar uma desculpa -... descansar.
- Mulder, você está bem?
- É, estou, estou sim, Scully. Só um pouco cansado. Então, você vai?
- Tudo bem. - diz Scully ainda estranhando a atitude do parceiro.
- Ótimo. Às 7:00hs está bom para você?
- Está sim.
- Então eu vou para casa agora e te espero mais tarde. - Ele beija o rosto de Scully, deixando-a ainda mais intrigada, afinal não era costume entre eles aquele tipo de gesto. Ela dirige a Mulder um olhar constrangido e sai do carro.

Scully entra em seu carro e resolve também ir até o seu apartamento, mas antes ela deixaria o material encontrado no corpo de Robert Edwards para análise.


18:55hs

Scully está descendo do carro, em frente ao prédio de Mulder e sente um frio correr por sua espinha. Ela sorri, era engraçado como Mulder a fazia se sentir como uma adolescente, mas hoje ela se sentia ainda mais ansiosa, como se algo muito importante estivesse para acontecer.

Ela faz menção de abrir a porta, mas percebe que esta já se encontra aberta. Scully retira sua arma e entra no apartamento de Mulder. A escuridão era absoluta e ela sente medo de que algo tivesse acontecido ao parceiro. Cuidadosante, Scully inspeciona o apartamento, mas algo chama sua atenção. Um som que vinha do quarto de Mulder. Ao entrar no cômodo, ela percebe o rádio ligado. Mas não o encontra. Sobre a cama, apenas uma rosa vermelha. Scully pega a flor e a cheira. Respira fundo, sentindo-se mais aliviada. Sabia que ele estava bem e olhava para a rosa tentando entender o que estava acontecendo. Ela não entende o significado de tudo aquilo, mas precisava fazer algo a respeito. Seu único desejo era que Mulder chegasse logo. Ele vinha agindo de forma estranha durante todo o dia. Ela se lembra da última vez que ele lhe dera flores e sorri. Não poderia continuar fingindo a si mesma que não o amava.

Ela estava completamente absorta em seus pensamentos, quando sente um leve toque em seu ombro. Ao sentir o perfume de Mulder, ela fecha os olhos. Ele se aproxima ainda mais dela, ate seus corpos se encontrarem. Com a mão direita ele enlaça a cintura de Scully e beija seus cabelos. Ela segura a mão dele e a aperta ainda mais contra o seu corpo. Ele gira o corpo dela, fazendo-a ficar de frente para ele. A tensão entre os dois é quase palpável. Seus olhos se prendem e, lentamente, os lábios vão se aproximando. O beijo, há tanto reprimido, agora os libertava dos muros que eles próprios haviam construído. A necessidade que sentiam um do outro transpassava a razão. Mulder inclina-se sobre o corpo de Scully, beijando seu pescoço, fazendo o corpo dela arrepiar. Suas mãos entrelaçadas demonstravam o quanto eles precisavam sentir que aquilo era real. Ele desabotoa a blusa dela e dá especial atenção ao seu ventre, beijando-o, enquanto suas mãos libertavam os seios de Scully do sutiã. Ele desce ainda mais por seu corpo e retira delicadamente a saia que ela usava. Ao vê-la nua, ele se detém por um momento a contemplá-la. Nunca sentira isso por mulher nenhuma. Scully, por sua vez, tinha um sorriso nos lábios. Como mulher, sempre tivera o sonho de poder ter ao seu lado alguém que fosse realmente especial. E Mulder era especial. Ele fazia com que ela se sentisse importante. O olhar dele a deixava cada vez mais excitada, ela, então, gira o corpo de forma a ficar por cima dele. Beija-o levemente nos lábios e ergue o corpo sentando-se sobre ele. Retira sua camiseta e ergue seus braços prendendo-os acima da cabeça dele, enquanto desce sua cabeça beijando seu tórax. Ela desce ainda mais e solta suas mãos das de Mulder, fazendo-as percorrerem por seu peito. Ela desabotoa e retira a calça dele, acariciando suas pernas. Scully sobe novamente pelo corpo dele e, com os olhos fixos no dele, ela une completamente seus corpos. Mulder fecha os olhos e geme ao sentir o corpo de Scully no seu. Ela começa a movimentar-se sobre ele e a respiração de ambos torna-se ofegante. As mãos de Mulder perdem-se nas costas dela, apertando seu corpo contra o dele como se quisesse fundi-los num só. Ela acelera os movimentos, fazendo-o perder o controle. Com os corpos suados, sedentos um pelo outro, eles unem novamente as mãos e num beijo apaixonado entregam-se atingindo o clímax.

Scully deixa seu corpo cair sobre o dele e encosta a cabeça em seu peito. Ele acaricia e beija os cabelos dela. Eles sentem como se, finalmente, tivessem encontrado aquilo que seus corações há tanto procuravam. Eles podiam sentir o amor completo, terno, companheiro. Era uma sensação de plenitude que nunca poderia ser traduzida em palavras, nem precisaria. Eles simplesmente precisavam senti-la e vivê-la.


10:00 a.m.

Chegando ao FBI, Scully encontra um envelope sobre sua mesa. Ela o abre e retira um papel de dentro. Era uma carta de Richard, que a pedia para encontrá-lo em um restaurante próximo ao FBI. Ela fica intrigada. O que ele ainda poderia querer com ela? Se Mulder soubesse, iria reagir muito mal. Ela não poderia ir ao encontro de Richard sem contar a Mulder. Ela sabia que ele não a perdoaria. Mas, de alguma forma, ela se sentia em dívida com aquele homem, como se ela tivesse feito algo que devesse ser reparado.

- Você vai?

Scully se assusta com a pergunta de Mulder que havia entrado no local sem que ela percebesse.

- Como?
- Ao encontro, você vai?
- Mulder...
- Tudo bem, Scully. Se achar que deve ir, tudo bem.
- Você vem comigo?
- Não acho que seja oportuno.
- Talvez realmente não seja.

Mulder não pôde deixar de demonstrar sua decepção. Ele ainda esperava que ela não fosse. O medo invadiu seu coração, mas ele não queria que Scully percebesse.

- Você vai sair agora?
- Não.
- Mas o encontro é daqui a 40 minutos.
- Eu sei.

Mulder ficou em silêncio esperando que ela dissesse alguma coisa.

- Eu não vou.
- O quê? - Apesar do esforço que fez, não pôde deixar de abrir um grande sorriso.
- Da forma que ele propôs esse encontro, não acredito que seja algo que envolva a morte de seu pai. E, se for, eu acho que devemos ir juntos. - disse Scully retribuindo o sorriso.

Mulder não disse nada, apenas se permitiu ficar admirando a mulher a sua frente.

- Vamos, Mulder. Temos que pegar os resultados da análise que mandei fazer na substância que você encontrou no corpo do senhor Edwards.
- Vamos.

Eles se dirigem ao laboratório do FBI e pegam os resultados da análise. Scully começa a lê-lo e sua expressão muda completamente. Ela esta totalmente incrédula.

- O que houve Scully? O que é esse material?
- Mulder, isso não é possível.
- O que não é possível?
- Este material é um tipo de ectoplasma, mas ele tem características peculiares.
- Peculiares como?
- A enzima digestiva.
- Scully, e se o senhor Edwards estivesse tentando fazer algum tipo de materialização espiritual?
- Mulder, por favor.
- Eu sei, você não acredita que isso seja possível, mas existem casos de médiuns que conseguem produzir este tipo de substância para materializar espíritos.
- Mulder, espíritos não se materializam. E admitindo que isso fosse possível, como você explica a enzima digestiva?
- É isso que precisamos descobrir. Talvez o senhor Edwards estivesse lidando com algo que não sabia exatamente o que era.

Scully suspira. Ela conhecia Mulder. Sabia que não era possível convencê-lo que aquilo tudo era uma loucura.

- Vamos, Scully. Talvez consigamos até fazer algum tipo de contato.
- Eu não estou interessada neste tipo de contato.
- Ah, não, Agente Scully? - Mulder sorri maliciosamente - E posso saber em qual tipo de contato a senhorita está interessada?
- Mais tarde, Mulder. Mais tarde eu conto. - Ela sorri timidamente.
- Eu acho que precisamos conversar com as pessoas da família. Se o senhor Edwards costumava participar desse tipo de sessão, acredito que alguém deva saber nos informar a respeito.
- Está certo.


Residência de Marie Edwards
1:15 p.m.

Mulder bate na porta. Dentro de alguns instantes, uma jovem moça vem atendê-la.

- Boa tarde, eu sou o agente especial Fox Mulder do FBI e essa é a agente Scully. Nos gostaríamos de falar com Marie Edwards.
- Só um instante, eu vou chamá-la. Por favor, entrem.

Eles entram e ficam aguardando.

- Em que posso ajudá-los?
- Sra Edwards, nós somos os agentes Mulder e Scully do FBI e gostaríamos de lhe fazer algumas perguntas sobre o seu pai.
- Pois não.
- A senhora sabe se o seu pai costumava freqüentar algum tipo de culto espiritual?
- Como assim?
- Nós encontramos uma substância no corpo de seu pai que chamamos de ectoplasma. Ela é utilizada em materializações espirituais.
- Não, papai era católico. Ele não gostava nem de falar nesse tipo de coisas. Quando Richard tocava no assunto, eles sempre discutiam.
- Richard?
- Sim, meu irmão. Ele faz parte de um tipo de seita e uma vez chegou a falar nessas materializações, mas papai nunca aceitou isso bem. Na verdade, nenhum de nós.
- Muito obrigado, senhora Edwards.

Eles entram no carro e permanecem em silêncio por alguns instantes. Até que Scully percebe que, ao contrário do que ela pensava, eles não estavam se dirigindo ao prédio do FBI.

- Mulder, aonde vamos?
- Fazer uma visitinha ao Sr. Richard.

Scully percebe um tom de irritação na voz de Mulder e sente um frio percorrer sua espinha. Ela sentia como se já tivesse vivido tudo aquilo e isso a assustava. Embora sua intuição fosse sempre muito forte, seu ceticismo não deixava com que ela simplesmente acreditasse que isso poderia ser um tipo de aviso. Ela continuaria tentando explicar seus pressentimentos cientificamente. Eles se aproximam de uma casa e Mulder estaciona o carro.

- Como sabe onde ele mora?
- Andei investigando.

Scully fecha os olhos e tenta afastar os pensamentos que rondam sua cabeça. Ao descer do carro, ela percebe que Mulder a estava observando. Seu olhar demonstrava um misto de angústia e ansiedade. Mulder não entendia porque se sentia assim, ainda mais depois da noite anterior. Ele não tinha dúvidas sobre os sentimentos de Scully para com ele, mas era algo incontrolável. Queria sumir dali com ela e nunca mais pensar sequer na existência de Richard, mas ao mesmo tempo ele sabia que seria preciso resolver essa situação. Ele percebe no olhar de Scully a mesma cumplicidade.

Eles se dirigem à casa de Richard em silêncio. Mulder bate a porta, que é aberta em poucos instantes por uma mulher.

- Pois não.
- Somos os agentes Mulder e Scully do FBI, nós estamos procurando por Richard Edwards.

Richard se aproxima e ao ver Scully abre um grande sorriso, enquanto Mulder tenta controlar seus impulsos.

- Por favor, entrem.

Mulder e Scully entram na casa e sentam-se.

- Em que posso ajudá-los?
- Senhor Richard, nós descobrimos o que era o líquido que encontramos no corpo de seu pai.
- Ah, sim. E o que era?
- Ectoplasma, mas não um tipo comum. Este era composto por um tipo de enzima digestiva.
- Não sabia que isso existia.
- Como eu disse, não é um tipo comum. O senhor sabe se o seu pai tinha algum tipo de ligação com grupos que praticam materialização espiritual?
- Não, senhor. Meu pai era católico praticante.
- Mas o senhor costuma freqüentar este tipo de culto.
- Onde quer chegar?
- Sua irmã, Marie, nos informou que o senhor e o seu pai costumavam ter discussões a respeito de religião.
- Escuta aqui, está insinuando que eu matei meu pai, por divergência religiosa? Eu e o meu pai tínhamos opiniões diferentes sim, mas eu nunca o mataria por isso.
- Não estamos lhe acusando de nada, só viemos aqui investigar.
- Pois eu acho que o senhor está com medo e resolveu jogar a culpa em mim, porque sabe que eu posso tirar algo que lhe é muito especial.

Mulder se levanta irritado. Scully, que permanecera calada até então, percebe e levanta-se também, segurando-o pelo braço.

- Vamos, Mulder. Não há mais nada a se fazer aqui.
- Vamos.

Eles se aproximam da porta, quando Richard chama:

- Senhorita Scully.

Ela se vira, mas sem encará-lo. Mulder pára e permanece de costas.

- Eu sei que se sentiu constrangida em atender ao meu pedido, mas eu gostaria que soubesse que quando estiver preparada, eu estarei esperando.

Scully não responde, apenas vira-se novamente para a porta e sai acompanhada pelo parceiro. Mulder não diz nada, mas em suas feições pode-se perceber como ele está contrariado com essa situação.

- Mulder, acho que precisamos conversar.
- Claro. - diz Mulder secamente.
- Agir dessa forma não vai resolver nada. Você sabe como eu me sinto no meio dessa situação que eu nem escolhi?
- Não estou lhe acusando de nada, Scully. Mas eu não vou ficar fingindo que gosto de tudo isso.
- Não existe tudo isso, Mulder. Eu não conheço esse homem, não sei nada sobre ele.

Mulder começa a rir.

- O que foi?
- Estamos parecendo um casal de adolescentes.

Scully abaixa a cabeça e começa a rir também.

- Acho que precisamos descansar um pouco. Esse caso está mexendo muito com os nossos nervos.
- Eu estava pensando em fazer outra coisa.
- Mulder, estamos trabalhando.
- Só pelos próximos 45 minutos. O tempo de chegarmos ao Bureau.
- O que está sugerindo?
- Um happy hour.

Scully olha para Mulder um tanto constrangida, mas era possível perceber o quanto ela estava feliz. Do lado de dentro da casa, Richard, que os observava, apenas sorri, enquanto o carro parte.


0:23 a.m.

Scully está deitada na cama. Os olhos fixos no teto. Ao seu lado, Mulder está dormindo. Ela começa a pensar nos últimos acontecimentos e um sorriso involuntário brota em seus lábios. Ela olha para seu parceiro com ternura. Em seu íntimo ela sabia que era ele o único homem com quem ela deseja estar. Mas ainda há algo que a incomoda. Richard. Por que este homem aparecera e qual seria o intuito dele? Mas o que mais a afligia era porque ela se sentia tão estranha na presença dele.

Com estes pensamentos, Scully adormece. Em seus sonhos, ela se via como uma moça de 25 anos, estatura mediana, cabelos negros, compridos e lisos. Ela está numa casa simples, cuidando de um jardim. A uma certa distância podia-se ver o mar. Ela ouve gritos e corre em direção à praia. Ela vê o corpo de um homem no chão e tenta reanimá-lo, mesmo percebendo que ele estava morrendo. Embora o homem seja mais baixo e mais moreno que Mulder, ela pode reconhecê-lo. Ela olha para ele com seus grandes olhos azuis marejados de lágrimas. Ele reúne todas as forças que ainda lhe restam e diz:

- Eu queria ver a nossa filha nascer. Prometa-me uma coisa. Quando ela nascer, diga a ela que eu a amo muito e que vou cuidar de vocês de onde eu estiver.
- Eu prometo.
- Ele vai voltar, você tem que ter cuidado.
- Quem é ele?

Mas o homem não responde, morrendo em seus braços.

- Scully, Scully, acorda.

Scully acorda assustada e abraça Mulder.

- O que houve? Você estava chorando. O que estava sonhando?
- Não sei, Mulder.
- Conte-me o que era.
- Eu via você morrer nos meus braços. Mas nós tínhamos corpos diferentes e eu estava grávida.
- Scully, você está muito abalada.
- Parecia tão real.
- Eu andei pensando sobre o caso que estamos investigando e, embora essa idéia não me agrade, eu acho que nós estamos envolvidos.
- Como assim?
- Scully, antes de dizer que é absurdo, eu quero que me escute. Eu acho que nós conhecemos estas pessoas de outra encarnação. A forma que Richard a tratou quando te viu pela primeira vez e, mesmo a forma que eu me sinto em relação a ele. É como se ele te conhecesse e quisesse te tirar de mim.
- Mulder isso não vai acontecer.
- Mas é assim que eu me sinto. Eu também já percebi como você fica vulnerável na presença dele. Não estou dizendo que você corresponda aos sentimentos dele, mas eu percebo que você tem algum tipo de...
- Sentimento de culpa. Eu também não sei explicar. Eu sinto como se tivesse causado a ele algum tipo de dano, algo que eu tenho que consertar.
- O que vamos fazer?
- Não sei. Eu não sei como agir nesse caso. Você sabe que eu não acredito em reencarnação, mas também não tenho outra teoria.

Ele a beija na testa e, em seguida, nos lábios.

- Vamos dormir. Amanhã resolvemos o que fazer.
- Está certo. Boa noite, Mulder.
- Boa noite.


11:15 a.m.

Mulder chega ao escritório e encontra Scully preocupada.

- Desculpe a demora.
- Onde esteve?
- Eu sei que o que vou dizer parece estranho, mas eu quero que tente acreditar.
- O que aconteceu?
- Eu fiquei muito impressionado com o seu sonho e resolvi fazer uma regressão. Eu descobri uma coisa que pode nos ajudar a resolver este caso e também entender qual o nosso papel em tudo isso.
- Mulder...
- Eu sei que não acredita, mas pelo menos me ouça.
- Está bem.

Neste momento, o telefone toca.

- Scully.
- Agente Scully, minha irmã... - uma voz feminina vinha do outro lado da linha e podia se perceber que ela estava chorando. - ela está morta.
- Quem está falando?
- Amanda Edwards, Marie está morta.
- Como aconteceu?
- Da mesma forma que papai. Disseram que você e o agente Mulder estão investigando a morte dele, então resolvi avisá-los.
- Estamos a caminho.

- O que aconteceu, Scully? - diz Mulder ao perceber a mudança no semblante da parceira.
- Marie Edwards está morta.
- Como assim?
- Ela foi encontrada da mesma forma que o pai. Precisamos ir até lá.
- Vamos, depois terminamos esta conversa.


1:18 p.m.

Ao chegarem à casa de Marie Edwards, Mulder e Scully foram recebidos por Amanda.

- Por favor, me acompanhem. Podemos conversar melhor no escritório.
- Senhora Amanda, nós sabemos que não é a melhor hora, mas precisamos fazer algumas perguntas.
- Tudo bem, eu só quero que encontrem a pessoa que fez isso a eles.
- Pode estar certa de que faremos o possível. Você sabe de alguém que poderia ter interesse na morte deles?
- Não, eles tinham algumas inimizades, mas nada que levasse a isso.
- Quem encontrou o corpo? - interrompeu Mulder.
- Eu mesma. Ela estava em seu quarto, caída no chão.
- A senhora notou se havia sinais de arrombamento?
- Não senhor, estava tudo normal, as portas trancadas como ela costumava deixar.
- Podemos ver o local onde foi encontrada?
- Claro, venham comigo.

Eles se dirigem à parte superior da casa.

- Foi aqui.
- Dê uma olhada, Scully. - Mulder abaixa-se ao lado da cama - É a mesma substância que encontramos em Robert Edwards.

Scully olha para a substância e, em seguida, para Mulder com um olhar inquisidor.

- Havia mais desse líquido em Marie. Principalmente na barriga. - disse Amanda.
- Na região do estômago? - pergunta Scully.
- Não, ficava mais próximo aos rins.

Dessa vez, Mulder olhava intrigado para Scully. Haveria algum padrão no comportamento do assassino? Ambos se dirigem ao carro em silêncio, tentando descobrir o que poderia estar matando essas pessoas.


2:49 p.m.

Scully e Mulder chegam ao necrotério para a autópsia em Marie Edwards. Ao retirar o corpo da gaveta, Scully percebe que este se encontra nas mesmas condições em que fora encontrado o corpo de Robert.

- Mulder, veja isso.
- Acho que nunca vou me acostumar com essas coisas. - diz Mulder apontando para o buraco formado na região renal da mulher.
- O mais estranho é que essa substância sempre se concentra em algum órgão específico, ela não ataca mais agressivamente outros órgãos.
- E o que isso quer dizer?
- Ainda não sei, talvez a autópsia possa esclarecer alguma coisa.
- Está certo. Eu volto para apanhá-la mais tarde.

Scully balança a cabeça afirmativamente e Mulder se dirige à saída do necrotério.


3:25 p.m.

Scully continua examinando o corpo quando o telefone toca.

- Scully.
- Scully, sou eu.
- Descobriu alguma coisa?
- Não exatamente.
- O que quer dizer com isso?
- Eu estou esperando o resultado dos exames, mas parece que Marie sofria de uma doença grave na região dos rins.
- E você acha que pode ser por isso a concentração do líquido nos rins?
- Talvez, infelizmente o tecido do estômago de Robert Edwards estava deteriorado demais, não pude encontrar nenhum indício de doença alguma.
- Você acha que existe uma ligação?
- É uma teoria.
- Scully, eu não vou poder passar aí para te buscar.
- Humpf.
- Desculpe, eu recebi uma ligação e preciso averiguar.
- Ligação de quem?
- Eu te conto mais tarde, mas acho que teremos novidades nesse caso.
- Mulder...
- Depois te ligo.

Scully fica intrigada com o telefonema de Mulder, mas decide não se preocupar com isso agora. Ela precisava terminar a autópsia e descobrir o que era aquela substância e por que ela atacara de forma tão agressiva um órgão que já estava tão contaminado.


11:36 p.m.

Scully anda de um lado para outro. Tentava, em vão, contato telefônico com Mulder. Sempre a mesma mensagem da secretária eletrônica. Ela estava aflita. Não era a primeira vez que Mulder sumia, mas ainda não tinha se acostumado com isso. É então que seu telefone toca:

- Scully.
- Senhorita Scully, Richard Edwards.
- Em que posso ajudá-lo?
- Na verdade, eu gostaria de lhe oferecer ajuda.
- Como assim?
- Está acontecendo de novo.
- O que está acontecendo?
- Estão eliminando todos os envolvidos e eu acho que o seu parceiro será o próximo.
- O que quer dizer com isso? Onde está Mulder?
- Eu o encontrei hoje à tarde, precisava ter uma conversa franca com ele. Explicar algumas coisas, queria que ele entendesse o porquê dos últimos acontecimentos e, porque eu estava sendo hostil com ele.
- Não acredito em você. O que fez com ele?
- Tem que acreditar em mim. Precisamos fazer algo antes que seja tarde. Eu sei que prá você é difícil, mas eu tenho que lhe pedir uma coisa. Venha até a minha casa e eu lhe explicarei melhor.
- Não sei...
- Por favor, é importante. A vida do agente Mulder corre perigo.

Scully desliga o telefone e tenta, mais uma vez, falar com Mulder. Não consegue. Ela começa a ficar preocupada. E se o que aquele homem diz for verdade. Ela não poderia arriscar a vida de Mulder, mesmo que não lhe agradasse a idéia de rever Richard, ela resolve ir até ele.


3:15 a.m.

Scully chega à casa de Richard e percebe que ele já a esperava na porta.

- Você demorou, estava preocupado.
- Por que estou aqui?
- Peço que não desconfie das minhas intenções. Eu tive diferenças com o seu amigo no passado. Mas acho que finalmente, depois de 200 anos, conseguimos resolvê-las.
- 200 anos? - diz Scully num tom de deboche.
- Eu sei que não acredita. Faz parte da sua natureza. Já era assim antes. Eu lembro de todas as vezes que tentei te explicar como funcionavam as leis espirituais e você nunca me dava ouvidos.
- Desculpe, eu não devia ter vindo. - Scully faz menção de ir embora quando ele a chama.
- Alice... - Ela se vira:
- Do que me chamou?
- Alice, era seu nome.

Inexplicavelmente, Scully sentia que o nome lhe era familiar e, sem oferecer mais resistências, ela adentrou a casa de Richard.

- Senhorita Scully, este é Morgan, um psicólogo amigo meu.

Scully olha para ele sem entender.

- Eu quero que nos ajude a encontrar quem está matando essas pessoas e que, possivelmente, pegou seu parceiro.
- E no que ele pode ajudar?
- Esses crimes não começaram aqui, eu digo, nessa vida. Em outra encarnação, nós todos fomos ligados e as mortes aconteceram da mesma forma. Primeiro, meu irmão, que nesta encarnação foi meu pai, depois a irmã de minha esposa, que eu conheci como minha irmã nessa vida. Por último, seu marido, que agora você conhece como Mulder.
- Eu não acredito em você.
- Eu sei, por isso, eu quero que relembre sozinha.
- Quer que eu faça uma regressão?
- Sim. Entenda que é importante para encontrarmos quem fez isso.
- E por que eu?
- Eu não me lembro. As únicas coisas que sei são sobre os assassinatos.
- E o que lhe garante que eu terei as respostas.
- Foi por você que os crimes aconteceram.

Scully estava muito assustada. Ela não queria acreditar que aquilo tudo era verdade, contudo, ela se lembrava do sonho que tivera e como parecera real.

- Tudo bem. Eu farei isso, pelo Mulder.
- Obrigado. Vamos começar?
- Vamos.

Ao começar a sessão de hipnose, Scully volta a cena que vira em seu sonho.



1795
Grécia

Alice está sentada na beira da praia, abraçada ao corpo inerte de Bryan. Ela chora copiosamente. Era um momento muito importante em sua vida, ela esperava um filho ou uma filha como queria Bryan. Já estava no quinto mês de gestação e não sabia a quem recorrer. Fora expulsa de casa por assumir seu romance. Seu marido era um sonhador, um poeta que vivia apenas para tentar levar um pouco de esperança aos corações. E isso a encantara. Ela, que fora criada para ser uma dama da sociedade e fazer um bom casamento, fugira para viver seu amor.

Seu pai nunca a perdoara pela traição contra a família. Para ele, a vida dedicada a que sua filha tivesse uma vida digna da educação que lhe dera, não tinha valido de nada. Ele definhava e se sentia fracassado. Ao sair de casa, Alice prometeu nunca mais voltar, devido às ameaças de seu pai. Ele alegava que Bryan havia destruído a vida de sua filha e prometera vingar-se. Alice não queria acreditar que ele fosse capaz. Mas quem mais poderia querer prejudicá-los? Eles viviam isolados em uma praia. Tinham poucos amigos. Ela não conseguia imaginar quem poderia querer a morte de Bryan.

Ela não poderia conviver com a dúvida. Apesar de ter cortado relações com o pai, ainda não acreditava que ele fosse capaz.

Alice chega a um casarão e, ao olhar para dentro, vê, num flash, sua infância, as brincadeiras com os irmãos e com sua única amiga Telmie, filha de sua ama de leite, Anna, que a criara como uma filha, já que sua mãe morrera quando Alice tinha 5 anos. Para ela, a família de Telmie sempre fora a sua própria, eles nunca a abandonaram, mesmo nos momentos mais difíceis.

Ao vê-la no portão da casa, Anna vem correndo para recebê-la.

- Minha filha, o que faz aqui?
- Bryan, - diz Alice chorando - ele está morto.
- O quê?
- Morto, foi assassinado hoje na praia.
- Entre, querida.
- Papai está aí?
- Você não soube?
- Soube do quê?
- Ele morreu há duas semanas.
- Oh, meu Deus! Como aconteceu? - Alice tentava conter as lágrimas, mas não conseguia.
- Ele não se alimentava direito. Depois que você foi embora, ele desistiu de viver.
- Não pode ser... - Alice diz e, em seguida, perde os sentidos.



Tempo atual

Scully está extremamente agitada ao reconhecer as pessoas que vê durante sua regressão. Morgan pede a ela que retorne do transe. Ela já havia se desgastado o suficiente naquele dia.

- Você está bem? - pergunta Richard.
- Estou, você... - ela não termina a frase.
- Você precisa descansar.
- Oh, meu Deus. Eu não sei em que acreditar. Eu vou embora, preciso ficar sozinha.
- Quando estiver se sentindo melhor, nós continuamos.
- Está bem. Até logo.
- Até logo.

Scully deixa a casa de Richard incrédula. As associações que fazia em sua cabeça estavam deixando-na cada vez mais confusa, mas como não fazê-las se ela reconhecia aquelas pessoas como sua própria família. Ela pode sentir a presença de sua irmã Melissa na figura de Telmie, assim como a de sua mãe em Anna.

Scully suspira e pensa em Mulder. Onde estaria ele? Quem afinal o teria levado? Ela se repreende por estar tão cansada. O dia logo amanheceria e ela não tinha notícias dele. Ela precisava dormir, só assim poderia começar a procurá-lo no dia seguinte.

7:15 a.m.

Scully acorda ainda sentindo seu corpo doer. Dormira mal à noite e a agonia de não ter notícias de Mulder era cada vez maior. Ela queria ir até o fim dessa história. Precisava saber o que havia acontecido a Mulder. Resolvera que faria novamente a regressão até descobrir quem havia matado aquelas pessoas e... ela não queria pensar nisso. Ela encontraria seu parceiro a tempo.

Ao chegar ao Bureau, Scully explica ao diretor assistente Skinner o que acontecera no dia anterior e pede a ele que a deixe procurar por Mulder, no que é atendida por seu superior. Antes de sair da sede do FBI, ela liga para Richard:

- Alô.
- Richard?
- Scully?
- Sim, sou eu. Eu estou pronta. Vamos terminar logo com isso.
- Eu vou pedir a Morgan que venha aqui novamente. Às 11:00hs está bom para você?
- O quanto antes.
- Está certo, eu fico lhe aguardando então.

Ela desliga o telefone e suspira. Seu único desejo era encontrar Mulder.


10:51 a.m.

Scully chega à casa de Richard e Morgan já está presente. Eles dão início à nova sessão.



06/03/1793
Grécia

Alice e Telmie estavam num mercado, quando são abordadas por um homem.

- Bom dia, senhoritas.

Telmie olha assustada para o rapaz, mas Alice responde, parecendo encantada com sua bela aparência.

- Pois não.
- Eu estou procurando essa pessoa. Vocês conhecem? - ele diz com os olhos fixos nos de Alice.
- Ah sim. É o padre Mark. Você é novo por aqui?
- Acabei de chegar. Onde eu poderia encontrá-lo?
- Na igreja. Venha eu lhe mostro o caminho.

Telmie puxa a amiga para um canto.

- Alice, você está louca? Nós nem conhecemos esse homem.
- Calma, Telmie. Ele não vai nos fazer mal algum.
- Como sabe?
- Eu sei. - e voltando-se para o rapaz - Vamos?
- Vamos. Qual o seu nome?
- Alice. E o seu?
- Bryan.
- O que veio fazer aqui?
- Eu estava procurando um lugar tranqüilo para escrever minhas poesias e me indicaram este aqui.
- Veio ao lugar certo. Já conhecia o padre Mark?
- Já sim, há uns dois meses ele esteve na casa de minha família procurando abrigo e ele me disse que podia ficar na casa dele.
- Chegamos.
- Já? - diz Bryan um tanto desapontado.
- Aqui tudo é muito perto. - diz Alice sorrindo.
- Que pena. Foi um prazer conhecê-la.

Eles ficam se olhando em silêncio, tentando reconhecer um ao outro. Ao ouvirem a voz do padre Mark, eles parecem sair de um transe.

- Alice o que faz aqui?
- Padre Mark? Como vai? Eu vim acompanhar o seu amigo.
- Não sabe que não fica bem para uma moça sair acompanhada de um homem que não seja de sua família. - diz ele rispidamente.
- Mas padre...
- Volte para casa agora. Ele já está aqui.

Alice fica assustada com a atitude do padre, afinal ele sempre parecera uma pessoa tão dócil, sempre a tratara tão bem. Ela volta seus pensamentos ao homem que conhecera e um sorriso lhe enche a face.

- Por que está rindo, Alice?
- O quê? Nada, Telmie.
- Eu te conheço. Ou pensa que me engana? Eu vi como olhava para aquele homem.
- Por que será que o padre Mark ficou tão agressivo?
- Eu também achei estranho, mas não tente mudar de assunto.
- Está bem, eu fiquei impressionada, mas é só isso.
- Está certo. Tomara mesmo que seja assim. Você sabe que seu pai não aceitaria qualquer envolvimento de vocês dois.
- Quem falou nisso? Não diga bobagens.
- Vamos nos apressar, seu pai está esperando para o jantar.



Tempo Atual

Scully estava agitada e falava sem parar.

- Foi ele, foi ele.
- Ele quem? - dizia Morgan.
- Ele matou aquelas pessoas. Ele é o culpado.
- Quem é ele?
- Padre Mark.
- E você sabe quem é ele atualmente?
- Ele não, ela.
- Como?
- Ela, Amanda.
- O quê? - interrompe Richard. - Não pode ser. Você tem certeza?
- Por favor, não interrompa. - pede Morgan.
- Sim, é ela, eu tenho certeza.
- E por que ele fazia isso?
- Ele era meu irmão. Mas meu pai não o reconheceu, por ter sido fruto de um romance com uma empregada. Quando ele soube da verdade, prometeu se vingar de meu pai através de mim. Ele matou meu tio e minha tia, que sempre me trataram como filha. E, por fim, matou meu marido. Eu só podia contar com Telmie e sua família. Minha filha nascera alguns meses depois da morte de Bryan. Oh, meu Deus!
- O que você está vendo?
- Minha filha, Cristiane... Samantha.
- Quem é Samantha?
- A irmã de Mulder, ela era nossa filha. Ele tentou levá-la de mim, quando ela estava com dois meses, mas não conseguiu. Michael acertou-lhe uma facada na barriga e ele morreu.
- Quem era Michael?
- Ahab, meu pai.

Scully fica mais agitada, começa a chorar e a chamar por Mulder sem parar.

- O que ela tem? - pergunta Richard.
- Não sei, mas é melhor trazê-la de volta.

Morgan pede a Scully que volte. Ela acorda, mas continua agitada e chorando muito.

- Precisamos encontrá-lo. Ele tem pouco tempo agora.
- Mas onde?
- Não sei, mas eu preciso achá-lo.

Richard, que saíra para atender o telefone, volta com uma expressão de preocupação.

- Scully, encontramos Amanda.
- Onde ela está?
- No hospital. Está morrendo.
- Precisamos ir até lá.
- Claro, vamos.


3:26 p.m.

Ao chegarem no hospital, Scully se dirige ao quarto onde está Amanda. Ela está muito fraca, mas ainda consciente. Ao vê-la, Amanda começa a dizer:

- Eu só estava tentando reparar o que tinha feito a eles. Não tive intenção de matá-los.
- Onde está Mulder?
- Papai estava muito doente, uma infecção no estômago. Eu tentei curá-lo, estava tudo indo bem quando a pele dele começou a ficar avermelhada e o líquido começou a sair de seus poros. Eu não sabia o que fazer e fugi. A mesma coisa aconteceu com Marie. Eu disse a ela que tinha medo, mas as dores dela haviam aumentado muito e ela me pediu que tentasse. Ainda com receio eu fiz o que ela havia me pedido. E ela acabou morrendo. Da mesma forma.
- Onde está Mulder? - Scully já estava alterada com medo da resposta que Amanda daria a ela.
- Ele me procurou, disse saber quem eu era e o que tinha acontecido. Eu tentei explicar a ele que, mesmo sem querer, eu tinha matado aquelas pessoas. Ele acreditou em mim e prometeu me ajudar, mas antes de ir embora ele começou a passar mal. Eu pedi a ele que esperasse até as dores passarem, mas quando percebi minhas mãos estava começando a ficar avermelhadas e o mesmo líquido estava saindo agora de mim. Ele não se mexia e apenas pronunciava algumas palavras desconexas. Sai da casa e, como estava muito fraca, desmaiei. Só me lembro depois de estar aqui. Eu sabia o que iria acontecer e tive medo, não por mim, mas por ele. Não queria ser culpada por mais um crime, não podia carregar mais um assassinato. Eu sei o quanto sofri até ter consciência dos meus erros e eu quis voltar e tentar me redimir. Achei que estivesse tudo bem. Onde será que eu errei?

Scully sai em disparada em direção à casa de Amanda e Richard a acompanha. Ao chegarem lá, não encontram ninguém. Ela chama por Mulder e não ouve resposta. Scully deixa seu corpo cair num sofá e começa a chorar. Onde ele estaria? Não sabia por onde começar a procurar. Amanda havia dito que ele tinha passado mal, talvez estivesse em algum hospital.

- O que irá fazer agora? - pergunta Richard.
- Não sei, vou tentar os hospitais.
- Eu vou com você. - Ele a abraça tentando confortá-la.
- Não precisa. Eu estou bem.
- Como se eu não a conhecesse. É engraçado como as pessoas nunca mudam. Eu vou com você. Deixe-me ficar ao seu lado, eu também tenho que me redimir de tê-la abandonado.

Scully olha para ele com ternura e diz:

- Agora eu entendo porque me sinto tão culpada. Você morreu por minha causa.
- Não diga isso. Eu a afastei de mim. Você não teve culpa. Seguiu seu coração, eu nunca deveria ter me oposto ao casamento de vocês.

Ela sorri e deita em seu colo, sentia-se como uma menina que se refugiava no colo de seu pai para tentar fugir da realidade. Richard sentia que havia trazido a sua garotinha de volta. Durante toda a sua vida, a lembrança de Alice e do mal que havia feito a ela o torturara e tê-la ali de volta era como um presente.

- Vamos filha, temos que encontrar Mulder.

Mesmo sendo estranho ouvir Richard chamando-a de filha, não pode deixar de sentir-se mais segura. Sabia que poderia contar com ele para ajudá-la em sua busca.

- Vamos.

Nos dias seguintes, Scully e Richard procuraram por Mulder em todos os hospitais e necrotérios de Washington e das cidades vizinhas, mas não encontraram nem sinal dele.

Scully estava cada vez mais abatida. Pedira a Skinner alguns dias de folga e fora para a casa de sua mãe tentar descansar. Não conseguia. Quanto mais tempo se passava, mais seu medo e sua angústia aumentavam. Não sabia mais o que fazer, nem a quem recorrer. Ela experimentava agora a mesma dor de Alice e se perguntava se seria sempre assim entre eles. Não queria acreditar que, depois de tanto tempo juntos, sem se permitirem viver o amor de forma plena, eles tivessem sido brutamente separados. Talvez inconscientemente tivessem medo que acontecesse de novo.

Depois de um ano de procura, Scully pedira a Skinner sua transferência. Queria voltar a Quântico. Tentar refazer sua vida, embora soubesse que a lembrança de Mulder nunca a deixaria. Sua vida agora se resumia a fazer o seu trabalho. Nos dias de folga, ela voltava ao seu apartamento em Washington e relembrava os sete anos que passara ao lado de seu parceiro. Richard se tornara um grande amigo. Ele nunca desistira de encontrar Mulder. Sentia que devia isso a ela.

O ano seguinte foi difícil para Scully, Maggie havia ficado muito doente e tinha que ficar sob constantes cuidados médicos. Ela se desdobrava para trabalhar e cuidar de sua mãe, mas não reclamava. Era uma forma de não pensar em como sua vida perdera o sentido. Ainda visitava periodicamente seu apartamento que era para ela como um santuário. Ela se permitia ficar lá quieta e quando estava muito cansada, chegava a sentir a presença de Mulder a confortá-la.

Quando Maggie se restabeleceu, Scully resolvera levá-la para Grécia. Tinha sido um pedido feito por sua mãe quando ainda estava doente. Embora o lugar lhe trouxesse lembranças de Mulder, não podia negar o pedido a sua mãe. Tiraria alguns dias de férias e a acompanharia.

Ao voltar da Grécia, Scully ficou ainda pior. Lembrara-se de alguns lugares que vira em sua regressão e não conseguia parar de pensar em Mulder. Resolve passar os últimos dias de férias que tinha em Washington.

Em uma das noites que passara no apartamento de Mulder, ela o vira em sonho. Ele dizia a ela que estava voltando e pedira para esperá-lo.

Scully acorda assustada. Olha para o lado.

O relógio mostra o horário: 5:40 a.m. Ainda não amanheceu. Na rua, algumas pessoas passam apressadas em direção ao local de trabalho. A temperatura baixa fazia seu corpo arrepiar. Mas isso não a preocupava, a dor que sentia era pior que o frio que congelava seus ossos. Aquelas mesmas paredes, que tinham sido testemunhas do momento mais doce de sua vida, eram agora como uma prisão, mas ela permanecia ali, apenas sentindo a presença ainda tão forte dele. Parecia que as lembranças a sufocavam, mas agora era tudo o que ela possuía. Lembranças e o desejo de voltar a vê-lo.

Dana Scully levanta-se da cama, os olhos fundos deixam transparecer a noite mal dormida e as lágrimas que não cessavam. Ela caminha até a janela enquanto seus pensamentos se dirigem àquele que fazia com que ela se sentisse viva.

"Olho para mim mesma e não vejo mais a mulher que um dia fui, quando eu senti minhas forças se acabando enquanto o câncer consumia meu corpo, a minha luta me mostrou que os nossos caminhos estariam sempre ligados. Em todos os momentos eu sentia a sua presença e a sua força. Os seus olhos me diziam tudo aquilo que, por anos, reprimimos. Mas as palavras não eram necessárias, não para nós. Nossa comunicação sempre foi silenciosa". Ela suspira e volta para a cama, senta-se e passa as mãos pelo lençol. "Eu sempre imaginei que nossa união, ao se tornar mais intensa e transparente nos tornaria invencíveis, inseparáveis. Qual não foi minha surpresa ao perceber que ela me tornaria mais vulnerável, porque agora eu não sei mais caminhar sozinha".

Scully pega uma pasta que estava na cabeceira da cama e a aperta contra o peito. As lágrimas novamente caem de seus olhos, ela se levanta decidida e sai do quarto, deixando sobre a cama a pasta contendo os documentos referentes ao seqüestro do agente Fox Mulder, ocorrido há dois anos e ainda sem solução.

Antes de sair do apartamento, ouve seu telefone tocar.

- Scully.
- Scully, Frohike.
- Frohike? Aconteceu alguma coisa?
- Tenho boas notícias para você.

Scully sente seu corpo tremer e sua voz sai com dificuldade.

- O que aconteceu?
- Nós o encontramos.
- Onde? - diz Scully já chorando.
- Nós o vimos numa fita da segurança de um banco em uma cidade pequena no Texas.
- Como ele foi parar lá? E por que não voltou?
- Isso não sabemos. Achamos melhor avisá-la.
- Fizeram bem. Vou avisar Skinner e ir imediatamente para lá.
- Nos mantenha informados.
- Está bem.

Scully liga para Skinner e o põe a par do acontecido. Ele pede a ela para acompanhá-la durante a viagem. Sabia do estado em que estava Scully e tinha medo de ser mais um alarme falso e ela não suportar. Ela concorda e deixa o apartamento de Mulder para encontrar Skinner no aeroporto.

No caminho, Scully fica presa no trânsito e acaba perdendo o vôo. Ela liga para Skinner e diz a ele que não conseguiria chegar ao aeroporto a tempo. Ele lhe tranqüiliza e promete telefonar assim que tivesse novidades. Só lhe restava esperar.







Dia seguinte

Scully está ansiosa. Não tinha notícias de Skinner e não conseguia falar com ele pelo celular. Já ligara ao Bureau ao menos cinco vezes e ele ainda não havia chegado. O telefone toca e ela atende prontamente:

- Scully.
- Agente Scully. Aqui quem fala é Skinner.
- Senhor, conseguiu encontrá-lo?
- Sim. Ele está aqui comigo no FBI.
- Eu estou indo.
- Agente Scully, mais uma coisa.
- Sim?
- Devo adverti-la que ele não se lembra de nada.
- Obrigada, senhor. Estou a caminho.

Scully sentia seu coração bater acelerado. Iria encontrá-lo depois de tanto tempo. Mesmo sabendo que ele não a reconheceria, ela sentia-se feliz. Em poucos minutos, ela chegara ao FBI e adentrara a sala de Skinner.

Ela vê Mulder sentado em frente a Skinner e quase perde os sentidos. Ele vira-se para ela e Scully começa a sorrir e chorar nervosamente. Tanto tempo de espera, tanta angústia, tanto medo e agora ele estava ali. Não importava quanto tempo ele levaria para lembrar-se de tudo. Agora que ele voltara, ela não o deixaria. Nunca mais.

Skinner percebendo o quanto Scully estava emocionada e abalada ajuda-a a sentar. Mulder continua olhando para ela, tentando entender porque ela estava agindo daquela forma.

Em alguns minutos ela se refaz e senta-se ao lado de Mulder pegando em suas mãos. O toque de suas mãos faz com que passe pelo corpo de ambos uma onda de calor. Seus olhos se prendem e ambos choram.

- O que está acontecendo? Quem é você? - pergunta ele, assustado.
- Meu nome é Dana Scully. Nós trabalhávamos juntos no FBI.
- Não consigo me lembrar.
- Nós vamos ajudá-lo. Onde esteve durante todo esse tempo?
- No Texas. Eu cheguei lá há aproximadamente 2 anos.
- Você se lembra como chegou até lá?
- Um homem disse ter me encontrado inconsciente e me ajudou a arrumar um emprego e restabelecer minha vida.
- Quem é esse homem? Você ainda tem contato com ele?
- Sim. Ele me ajudou, sempre me visita. Seu nome é Martin.
- Sabe onde ele está, onde mora?
- Não. Ele não era do Texas.

Scully pede a Skinner que tente localizar o homem, talvez ele tivesse alguma informação que pudesse ajudá-los a descobrir o que acontecera a Mulder.

Durante o mês seguinte, Scully dedicou-se a ajudar Mulder a recuperar sua memória. Haviam feito algum progresso, mas ele ainda não se lembrava de muita coisa. Ela resolvera não contar a ele que eles haviam se envolvido romanticamente. Preferia deixá-lo lembrar sozinho. Não queria que ele se sentisse pressionado. Ainda assim, eles estavam cada vez mais ligados e o brilho voltara ao olhar de ambos.


23/02/2003
8:35 p.m.

Scully chega em casa e é recebida por Mulder.

- Oi, eu... lembrei de algo hoje.
- E o que foi?

Ele a abraça com força.

- Parabéns.
- Oh, Mulder. Obrigada. - diz emocionada - Como aconteceu?
- Não sei, eu vi num flash. Lembrei de um chaveiro que te dei há alguns anos atrás.
- Esse aqui? - Scully mostra a ele o chaveiro que ganhara dele.
- É - ele sorri - esse mesmo. Sabe Scully, não foi só isso que eu lembrei hoje.
- Venha, sente-se. O que mais lembrou?
- Disso.

Ele se aproxima de Scully e a beija suavemente. Suas mãos acariciam os cabelos de Scully. Ele se sente novamente em casa. Olha para ela e acaricia seu rosto. Em sua mente, ele vê passar vários dos momentos que passaram juntos.

- Eu estou lembrando. - ele sorri.

Scully sorri e chora. Ela finalmente sente-se completa. Era o melhor presente que poderia ganhar. Os corpos de ambos procuravam-se ansiosos por poderem estar novamente juntos. Mulder gentilmente pega Scully nos braços e a leva para o quarto.

- Eu preciso de você, Scully.

Scully fecha os olhos e sem responder ela o beija apaixonadamente.


2 horas depois.

Mulder e Scully ainda tinham os corpos suados e permaneciam abraçados, contando um ao outro o que se passara durante o tempo que permaneceram afastados.

A campainha toca e ela quase não escuta de tão emocionada que estava. Embora não quisesse que esse momento fosse interrompido, ela veste-se e se levanta para atender a porta.

- Richard? Por onde andou? Estou tentando falar com você há meses.
- Tive que fazer uma viagem. Como você está?
- Estou ótima. Veja quem está aqui.
- Martin? - diz Mulder reconhecendo a voz do homem que chegara.
- Não, Mulder. Esse é Richard. - diz Scully apontando-lhe o amigo, mas ao voltar-se para Richard, ela percebe a expressão de incredulidade dele. - O que está acontecendo aqui?

Mulder sente uma forte dor de cabeça e senta-se novamente no sofá. Scully corre até ele.

- Mulder, você está bem?
- Estou. Foi ele, Scully. Agora eu me lembro. Ele me encontrou na casa de Amanda e me levou para o Texas.

Ao ouvir essas palavras, Scully corre atrás de Richard que já estava saindo do prédio. Ele sai desnorteado e parte com o carro em disparada. Scully volta ao apartamento e liga para Skinner contando a ele o ocorrido, para que ele pudesse tomar providências e encontrá-lo.

Já mais calma, ela entra no quarto, onde Mulder estava dormindo. Ela deita-se ao lado dele e dorme com a cabeça encostada em seu peito.

11:43 p.m.

Scully acorda e não encontra Mulder no quarto. Ela levanta-se e o encontra sentado no sofá com as mãos na cabeça.

- Aconteceu alguma coisa, Mulder?
- O Skinner acabou de ligar. Richard está morto.

Scully abaixa a cabeça e suspira.

- Venha, Mulder. Não vamos mais deixar que ele roube nosso tempo.

Eles voltam para o quarto e adormecem abraçados. Apenas sentindo o calor do corpo um do outro e a segurança que esse reencontro trazia.

Fim