{barra}

Autora: Déia
Feedback: deia_scully@ig.com.br
Disclaimer: Os personagens desta história não pertencem a mim (infelizmente).
Eles pertencem ao Chris Carter, a Fox e etc... Esta história não visa lucro e
se destina unicamente a diversão dos fãs.
Classificação: Shipper/ Continuação do episódio En Ami.


Verdade

O silêncio no carro era absoluto. Mulder se esforçava ao máximo para manter-se
sob controle. Estava se sentindo traído pela pessoa que mais amava. Queria
dizer a ela o quanto ele estivera preocupado, o quanto sua ausência o deixou
inseguro. Mas como dizer-lhe tudo o que se passava em seu coração sem magoá-
la. Sabia que se dissesse a ela o que sentia, iria acabar se exaltando.
"Droga, Scully! Por que você confiou justo no Canceroso? Por que não me disse
nada. Você faz idéia do que me fez passar?", enquanto ele pensava, Scully
olhava insistentemente para ele tentando buscar em seus olhos algo que a
deixasse mais tranqüila. Nada. Mulder sequer olhara para ela desde que
entraram no carro. "Não adianta, Scully. Você pode ficar me olhando o resto do
dia, eu não dou a mínima. Acha que é bom, ficar esperando um contato seu e
tentando
adivinhar onde foi que você se meteu? Como pensa que eu me senti quando soube
que você corria perigo?"

Scully estava se sentindo ainda pior. Se sentia enganada e a única pessoa que
queria neste momento que a apoiasse, fingia que ela não estava ali. Ela
desejava que chegassem logo à sua casa, pelo menos ela poderia ficar sozinha,
novamente sozinha. Poderia liberar tudo que estava lhe apertando o peito
daquela forma. Quando sentiu as lágrimas se formando em seus olhos, desejou
ainda mais que sua casa estivesse perto, não saberia o quanto mais poderia
agüentar daquele silêncio e indiferença por parte de Mulder.

"Ah, não Scully. Você não vai fazer isso.", por um momento ele olhara para ela
e vira seus olhos marejados de lágrimas e seus lábios contraídos. "Scully,
isso é covardia, você sabe como eu fico quando você chora". Ele ouve ela
respirar mais forte e virar seu rosto para a janela. "Isso, coragem, Scully.
Você é forte. Não precisa chorar. Você é maior que tudo isso. O que eu estou
dizendo? Ou melhor, o que eu estou fazendo?". Agora é a vez dele buscar os
olhos dela, mas ela continuava a olhar para a rua.

"Isso, sua estúpida. Agora ele está com pena de você. Está satisfeita? Não
preciso da piedade dele nem da de ninguém." Ela tentava ao máximo esconder seu
rosto dele, quando entraram na rua de seu prédio. Ela sentiu um imenso alívio
tomar conta de si. Estaria a salvo agora, recolhida em seu lar, o único lugar
em que se permitia ser frágil.

"Estamos chegando. E agora? Digo alguma coisa? Será que eu fui duro demais com
ela? Ah, meu Deus, Scully. O que eu faço? Burro, burro. Você vai acabar
afastando a única pessoa que ainda está do seu lado." Ele pára o carro em
frente ao prédio e ao virar-se para se despedir de Scully, ela já está
fechando a porta do carro.

- Até amanhã, Mulder.

É a única coisa que ele ouve. Não teve nem tempo de responder, ela já entrara
no prédio. Ele fica olhando para a entrada. "Não adianta, é melhor deixar as
coisas esfriarem. Amanhã nós conversamos." Ele liga o carro novamente. Olha
para frente, desliga o carro. Não consegue sair de lá. Não sem antes resolver
esse assunto com Scully. Encosta a cabeça no volante e tenta resolver o que
fazer. "Sempre isso. Toda vez que tenho algo importante a dizer a ela, eu
deixo passar, imaginando que no
dia seguinte as coisas serão mais fáceis. Como se algo na minha vida fosse
fácil." Ele olha novamente para a entrada do prédio e resolve finalmente ir
atrás dela.

Scully está encolhida em seu sofá. Pensara em tomar um banho, colocar uma
roupa mais confortável e tentar dormir um pouco, mas estava tão abalada que
não conseguia se mover. Queria ficar ali quieta imaginando um jeito de fazer
Mulder entender o que tinha feito. "Se ele estivesse no meu lugar, faria a
mesma coisa. Eu tenho certeza. Por que é tão difícil prá ele entender que eu
precisava". Ela ouve as batidas na porta e se encolhe mais ainda no sofá. Não
quer ver ninguém.

- Scully, eu sei que está aí. Por favor, abra a porta. Precisamos conversar.

Ela estremece. "Meu Deus, o que ele quer aqui? Será que ele veio prá brigar
comigo. Pelo modo que ele me tratou o dia todo só pode ser isso."

- Mulder, amanhã conversamos.
- Não, Scully, agora. Eu preciso falar com você agora.

Ela abre a porta e senta-se novamente no sofá.

- Mulder, por favor. Eu passei por momentos nada agradáveis nestes dias e
última coisa que eu quero agora é brigar com você.
- Eu não vim brigar com você.
- Não?
- Bom, na verdade, só um pouquinho.

Ela abaixa a cabeça e fica olhando para suas mãos.

- Scully, olhe prá mim.

Ela continua com a cabeça baixa.
Ele se aproxima e senta ao lado dela no sofá.

- Scully... - ele segura em seu queixo, fazendo com que ela olhe em seus
olhos. - Eu só quero que saiba que eu quase enlouqueci quando você sumiu desse
jeito sem me dar notícias. Você faz idéia de como é ficar tentando buscar um
jeito de encontrar uma pessoa, sabendo que sua vida corre perigo? Você imagina
como eu ficaria se algo acontecesse a você?
- Mulder, eu...
- Ainda não. Eu quero que me ouça primeiro. Depois eu te dou o direito de
defesa. - Scully sorri, tentando disfarçar a tristeza que estava sentindo por
ter magoado a pessoa mais importante de sua vida. - Eu estive pensando durante
o tempo que esteve fora e acho que a nossa relação tem mudado bastante
ultimamente. Eu não sei bem como dizer isso. Não sei como você irá reagir.
Sabe, Scully, eu tive muito medo de que você nunca mais aparecesse. - Ele faz
uma pausa e percebe o quanto ela está vulnerável e transtornada com aquela
situação. - Eu pensei em inúmeras formas de te falar isso, mas eu tenho que
fazer uma escolha, desta vez definitiva. Mesmo colocando em risco tudo o que
construímos nestes últimos 7 anos.

Scully está a beira do desespero. A única coisa que ela queria era sumir
definitivamente e esquecer seu passado, recomeçar do zero. Sabia o Mulder
diria, ele estava procurando a palavra certa para dizer que
não confiava mais nela e que eles deveriam se separar. Ela não suportaria
ouvir isso dele, mas era melhor que ele fosse sincero e dissesse logo, do que
continuar a ignorá-la como ela estava fazendo.

- Scully, você está me ouvindo?
- Estou, Mulder, mas eu já sei o que vai dizer, então acho melhor você me
deixar agora. Eu vou ficar bem, amanhã mesmo, eu peço minha transferência ao
Skinner e deixarei os Arquivos X.
- Meu Deus, Scully, do que você está falando?
- Não é isso, Mulder? Não foi isso que veio me falar? Que não pode mais
confiar em mim e é melhor nós não continuarmos juntos? Eu não sou mais
criança, Mulder. Sei que você está bravo comigo. Talvez eu também ficasse no
seu lugar. Mas você tem que entender, que eu não podia arriscar. Eu tinha que
tentar e acho que você faria a mesma coisa no meu lugar.
- Claro que faria. Mas acho que você está entendendo tudo errado.
- Então o que é que você tem prá me falar?

Mulder desvia o olhar do dela e por um momento ela sente que estava certa. Ele
vai abandoná-la.

- Está vendo, Mulder. Não consegue, ao menos, me olhar nos olhos.
- Scully, não é isso... eu...

Scully se levanta e abre a porta de seu apartamento.

- Vá, Mulder. Por favor, eu preciso ficar sozinha.

Ele se levanta e fecha a porta.

- Não.
- Como não? Mulder, se já disse o que tinha prá dizer, por favor, eu peço que
saia e me deixe logo.
- Scully, você quer me deixar terminar.
- Não, Mulder, eu não quero.

Ela faz menção de abrir novamente a porta, mas dessa vez Mulder segura seu
braço antes que ela faça o movimento.

- Larga o meu braço, Mulder.
- Só depois que eu disser o que eu vim dizer.
- Está bem, mas solte o meu braço.
- Desculpe. Eu estou nervoso, Scully.
- Tudo bem, Mulder, mas por favor, vamos acabar logo com isso.

Mulder abaixa sua cabeça e diz quase num sussurro:

- Eu te amo.
- O quê?

Ele inspira novamente e repete:

- Eu te amo, Scully. - Faz uma pausa - Muito. E é por isso que eu fiquei tão
nervoso quando soube que você estava com o Canceroso, que sua vida corria
perigo. O simples pensamento de que eu pudesse nunca mais voltar a vê-la me
deixou completamente transtornado. Você não sabe o que eu passei.
- Não sei? Como assim não sei? Mulder você se lembra quando resolveu ir para o
Triângulo das Bermudas atrás de um navio fantasma? Isso para citar apenas um
exemplo. Eu fiquei perdida, rezando para que você estivesse bem. Eu ameacei o
Spender, pedi ajuda até ao Kersh. Você imagina o meu desespero? Agora VOCÊ
sabe o que EU passei.

Diante das palavras de Scully, Mulder não tinha justificativas. Ele sabia que
ela estava certa e que ele tinha sido leviano naquela ocasião. E se sentia
ainda pior, pois quando ele foi resgatado, ela cuidou dele e não lhe virou as
costas como estava fazendo com ela agora.

- Scully, eu sinto muito. Eu realmente não tinha o direito de lhe tratar dessa
forma, mas eu tive muito medo de te perder.
- Mulder - ela segura suas mãos - você não vai me perder. Nunca. - Ela faz uma
pausa e olha diretamente para os olhos de Mulder - Eu também te amo. Muito.

Mulder sorri para ela e se aproxima. Finalmente seus lábios se encontram. O
sentimento que os invade é de total cumplicidade. Há muito tempo desejavam
este momento. Ao se separarem, Mulder olha para ela e diz:

- Estou perdoado, então?
- Estamos perdoados. Mas você vai ter que vir comigo.
- E para onde vamos?
- Eu te mostro.

Scully sorri maliciosamente e o puxa em direção ao quarto, dando início a uma
nova fase na vida de ambos. A verdade agora, está em seus corações.

Fim